| Como manter a segurança nas
redes sem fio |
Autor: Tagil Oliveira Ramos
Data: 05/09/2003 |
Muitas corporações recusam-se a pensar numa solução
wireless por causa da suposta falta de segurança deste tipo de aplicação.
Consideram a rede de dados como uma Muralha da China, cuja invulnerabilidade
só funciona contra ataques terrestres, mas é pouco útil
contra as ações aéreas de uma esquadrilha inimiga.
Há acerto e exagero em posturas como esta.
A própria Aliança Wi-Fi, consórcio criado por empresas
da área, reconhece que o temor com relação à segurança
das redes sem fio gera um impacto negativo na adoção dos produtos
especializados. Algumas reações são irracionais, baseadas
em crenças arraigadas. Outras, ligadas à insegurança
real das soluções wireless.
O padrão de criptografia para redes locais sem fio, o conhecido
WEP (Wired Equivalent Privacy) tem algumas restrições. “Ele é muito
vulnerável”, avalia Fernando Santos, gerente de área
da Check Point para o Brasil e o Cone Sul. “Quem deseja um bom nível
de segurança não pode se fiar somente nele”, afirma.
As soluções para evitar os piratas aéreos vão
desde a utilização dos recursos de segurança inerentes
aos próprios pontos de acesso até a instalação
de firewalls. É preciso investir horas de serviço para fazer
uma configuração confiável da rede wireless. Nos casos
mais complexos, a aquisição de equipamentos, software e a
contratação de serviços especializados se fazem necessários.
Para contornar a insegurança, a Aliança Wi-Fi divulga este
mês um novo padrão de acesso sem fio entre PDAs (Personal Digital
Assistants). Batizado de WPA (Wi-Fi Protected Access), a tecnologia vai
além do WEP, prometendo melhorias na criptografia de dados e na autenticação
do usuário, apenas com upgrade de software.
De quebra, o consórcio apresenta uma nova ferramenta de busca chamada
de Zone, destinada a encontrar pontos de acesso Wi-Fi entre os cerca de
12 mil hot spots (pontos de acesso públicos) instalados no mundo.
Outra promessa é o desenvolvimento do padrão 802.11i, desenvolvido
pelo IEEE 802.11 Task Group. A iniciativa inclui uma nova versão
de WEP, baseada em AES (Advanced Encryption Standard).
Casos do mundo real
Enquanto se espera o WPA, o mercado já comercializa várias
soluções para quem quer trafegar dados pelo ar, atingindo
níveis de segurança semelhantes aos de uma rede cabeada. As
operações em redes sem fio (internos ou externos) têm
oferecido vantagem competitiva para alguns empreendimentos, sem comprometer
a integridade dos dados.
É o caso da empresa de logística Columbia, com atuação
em entrepostos aduaneiros do Brasil. A companhia investiu em tecnologia
wireless para alimentar seus bancos de dados com informações
de seus armazéns. Nas unidades, as informações são
recolhidas por meio de cem coletores de dados em rádio freqüência.
O aproveitamento do padrão 802.11b inclui o uso de criptografia entre
os dispositivos e o ponto central de acesso, mesmo nas regiões mais
afastadas dos centros comerciais.
As informações dos coletores ficam disponíveis online
por meio do portal da companhia, possibilitando o processo de rastreamento
e desembaraço de cargas. “Nosso negócio requer o oferecimento
de informações para nossos clientes e não apenas o
espaço físico para o armazenamento de mercadorias”,
diz Marcelo Brandão, gerente de tecnologia da informação
da Columbia.
A existência de um espaço aberto de grandes dimensões
e cuja estrutura dificulta a instalação cabeada é outro
atrativo para a solução wireless. O estádio do Maracanã,
por exemplo, usa uma rede sem fio para interconectar as diversas bilheterias
com o escritório central. A solução, implementada pela
ITC Technology, desenvolvida pela Enterasys Networks, também está em
fase final de implantação no estádio do Morumbi, em
São Paulo.
Um dos grandes atrativos para algumas companhias, principalmente aquelas
que lidam diretamente com tecnologia, tem sido o aumento de produtividade
de seus funcionários. A Microsoft, por exemplo, afirma que cerca
de 50% do seu time ganhou de 30 a 90 minutos diários pelo fato de
usar a rede wireless da corporação.
Cuidando do calcanhar
Os exemplos mostram que as soluções compatíveis com
o padrão 802.11b já trazem mecanismos que garantem níveis
aceitáveis de segurança. Mas, para que isso ocorra, o projeto
de proteção dos dados deve ser ativado desde o início.
A segurança de uma rede wireless pode ser implementada tendo em
vista seus conhecidos pontos de fragilidade. O primeiro “calcanhar
de Aquiles” está justamente no chipset do ponto de acesso. É preciso
tornar confiável a comunicação entre ele e os demais
dispositivos autorizados. Esse trabalho, mesmo feito de forma manual, pode
evitar que computadores se liguem à rede com facilidade, apenas se
aproximando da região de cobertura.
Por outro lado, a medida não é suficiente para garantir segurança.
Existem vários programas disponíveis na Internet que simulam
o endereço de qualquer placa de rede, fazendo-se passar por um dispositivo
autorizado na hora de uma conexão.
Uma vez fechada essa primeira brecha, é hora de cuidar da inviolabilidade
da informação que trafega entre as estações
e o ponto central de rede. E a única maneira é embaralhá-la
de uma forma ordenada, ou seja, criptografá-la. Os dados estão,
dessa forma, seguros – isto é, até o momento em que
um estranho tenha acesso à chave criptográfica ou quebre seu
código.
O uso de protocolos como o IPSec permite a criação de um
túnel seguro. Caso se queira níveis mais elaborados de criptografia,
os padrões AES (Advanced Encryption Standard) e o DES (Data Encryption
Standard) são opções interessantes. No entanto, é preciso
um certo censo de medida para evitar gastos desnecessários. “Não
adianta, por exemplo, codificar números do almoxarifado que só têm
sentido para a companhia e que dificilmente poderiam ser aproveitados por
um concorrente”, explica Cristiano Oliveira, da Spring Wireless.
Também é preciso levar em conta a velocidade padrão
de mercado das redes sem fio. A criptografia de dados baixa realmente o
desempenho das aplicações e da transmissão. “Essa é uma
das razões por que muitas empresas optam por não criptografar
os dados”, diz Cláudio Bannwart, gerente de segurança
digital da Compugraf.
Mesmo depois de trancadas todas as portas e instalada a criptografia adequada,
não é possível dar folga aos crackers. “O monitoramento
regular permite averiguar riscos de segurança em tempo real, descobrir
atividade de invasores, além de identificar problemas intrínsecos à rede”,
explica Marco Fontenelle, gerente de sistemas para a América Latina
da Network Associates.
Produtos distribuídos gratuitamente pela Internet permitem essa
radiografia da rede. São chamados genericamente de sniffers (farejadores).
Programas como esses são como facas de dois gumes, que podem servir
tanto para a defesa como para o ataque de uma rede corporativa. O desafio
dos administradores de rede e dos gestores de segurança é justamente
serem mais rápidos no gatilho e mais competentes na hora de instalar
fechaduras e cadeados nas entradas. As ameaças, enfim, existem desde
a primeira rede de computadores instalada e não vão acabar,
nem impedir o avanço da tecnologia e dos negócios.
Como deixar sua rede corporativa segura
Algumas ações simples e implementações corretas
deixam os intrusos do lado de fora do ambiente da empresa: Não
diga o nome da rede para qualquer um: desabilite no ponto de acesso a
emissão automática de informações como o
nome da rede, a chave criptográfica e a senha do administrador
de rede; Faça a lista dos computadores amigos: a autenticação
do computador à rede deve ser feita usando o MAC Address da placa
de cada dispositivo. Essa ação impede que máquinas
estranhas ao ambiente possam se conectar à rede; Não deixe
vazar o sinal: o posicionamento do ponto de acesso e a potência
de sua antena podem ter um alcance que ultrapasse as fronteiras geográficas
da empresa. É preciso implementar mecanismos de autenticação
e criptografia; Aja rápido se o notebook sumir: roubo e perda
de equipamentos têm conseqüências sérias. Preveja
que ações serão tomadas nesses casos; Defina que
tipo de informação trafega na rede: é importante
que o usuário do canal sem fio saiba o que pode e o que não
pode ser trafegado pela rede wireless; Criptografar para não dar
o mapa ao bandido: dados estratégicos, e-mails profissionais,
modelos de vendas, lista de clientes preferenciais, planos de novos negócios
podem cair em mãos inimigas. O estrago do vazamento desse tipo
de informação pode ser fulminante; Autentique quem entra:
além de garantir que determinado dispositivo é autorizado
para entrar na rede, use métodos de autenticação
forte de usuário, por meio de tolkens e senhas dinâmicas;
Erga muralhas de fogo: a ligação com a rede local deve
estar sempre protegida por firewall, como qualquer porta aberta para
o mundo exterior.
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