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| Da teoria à prática |
| 08/09/2003 |
As soluções de VPN IP ganham espaço no mercado corporativo
com promessas de economia, segurança e flexibilidade para criação
de comunidades de negócio
Aclamada como tendência no mercado de telecom, a solução
de VPN IP tem reforçado o portfólio das provedoras no momento
de satisfazer as necessidades de corporações mais exigentes.
Flexibilidade, interoperabilidade, possibilidade de reduzir custos de comunicação
e permitir a criação de comunidades de negócios são
alguns dos adjetivos atribuídos à tecnologia.
Rodrigues, do grupo Siciliano: adoção de VPN IP trouxe redução
de custos de 30% e melhoria na qualidade.
Entretanto, parte dos fornecedores aponta a necessidade de ser criterioso
na hora de contratar o recurso. “A propaganda e o apelo de mercado
fazem com que exista uma moda envolvendo VPN IP, mas nem sempre ela é a
melhor opção”, alerta Paulo Pessoa, diretor de marketing
e desenvolvimento de negócios da PrimeSys.
De acordo com o executivo, em determinados casos as tradicionais soluções
de frame relay e ATM são mais indicadas e apresentam boa relação
custo-benefício. “De forma superficial podemos dizer que a
VPN IP é apropriada para companhias em que cada ponto da rede se
comunica com os demais”, destaca Pessoa. “Se a empresa tem dificuldades
para substituir seus sistemas legados, as arquiteturas tradicionais podem
ser uma boa saída, mas para novos sistemas a VPN IP faz mais sentido”,
contextualiza Fábio Zaffalon, analista do The Yankee Group.
O diretor-geral de comunicação da Telefônica Empresas,
Luiz Gonzaga Villela Neto, também observa a pressão dos fabricantes
para impulsionar a adoção da tecnologia “Essa febre
não faz sentido pois cada arquitetura se destaca em algum tipo de
aplicação.” Para Alexandre Gomes da Silva, diretor de
marketing e produtos da AT&T Latin América, há três
grandes vetores influenciando o segmento de VPN IP. “Por um lado,
os provedores de serviços tentam agregar valor às soluções
e os fornecedores de infra-estrutura buscam movimentar mercado. Por outro,
as empresas começam a estender suas fronteiras, criando comunidades
de negócios”, ressalta.
A necessidade de interligar pontos distantes e os altos custos que envolvem
a contratação de links privados para tráfego internacional
foram alguns dos fatores que incentivaram a companhia de transportes aéreos
TAM a implementar a tecnologia de rede virtual privada. “Os 20 links
que conectam a empresa à Europa, Estados Unidos e Mercosul são
baseados em VPN IP”, afirma Tony Facó, diretor de TI da companhia
aérea. A corporação, que adotou a solução
no início do ano passado, utilizava frame relay para interligar os
diversos pontos. “Começamos a procurar uma tecnologia capaz
de permitir a rápida ativação dos pontos, para eventos
como feiras e congressos. Além disso, buscávamos uma alternativa
para reduzir os gastos com comunicação”, relata o diretor.
Facó conta que a VPN IP apresentou-se como uma boa solução
por sua flexibilidade e por suas características de segurança. “Hoje,
dos 300 circuitos, 50 utilizam a tecnologia”, comenta Facó,
destacando que as conexões são feitas por meio de ADSL. “Temos
canais com capacidades que variam de 256 Kbps a 512 Kbps e eles interligam
lojas de carga, pontos-de-venda de passagens e agências de turismo”,
explica.
A rede, que trafega informações sobre controle de venda,
consulta de vôos, entre outros dados corporativos, utiliza recursos
como criptografia e certificação digital. “A cada dia
os links VPN IP apresentam melhor qualidade”, afirma, lembrando que
a rede virtual privada construída sobre a internet não fornece
garantia de banda e que o tempo de recuperação é muito
longo. Entretanto, a tecnologia traz benefícios como agilidade na
instalação e redução de custos. “Em média
um link ADSL é 50% mais barato que um canal frame relay.”
A questão dos custos tem sido um dos fortes apelos da solução
de rede virtual privada. “A vantagem dessa arquitetura é o
preço, pois torna possível compartilhar o meio”, afirma
Ricardo Engelbert, diretor de internet da Impsat. “No caso de uma
infra-estrutura que só trafega dados e na qual há um ponto
concentrador, ou seja, somente a matriz conversa com os demais, a VPN IP
não é tão vantajosa em relação ao custo,
se comparada com o frame relay”, lembra Eugênio Pimenta, diretor
de produtos da Intelig. Luiz de Sá, diretor-presidente da Comsat
concorda, explicando: “se a companhia tem demanda previsível
e uma infra-estrutura bem desenhada e enxuta, a questão do preço
da rede virtual privada pode não ser tão atrativa.” Na
opinião de Fabio Zaffallon, isso ocorre porque, ultimamente, o custo
da VPN IP está bem próximo ao da solução frame
relay. “O gerenciamento da rede virtual privada é mais dispendioso
e a segurança tem de ser reforçada”, pondera o analista
do Yankee Group.
Para Carlos Rosolem, sócio-diretor da consultoria Quendian, a VPN
sobre internet pública é a mais promissora, devido aos custos. “No
caso da solução sobre rede privada, ou seja, quando o compartilhamento
ocorre somente no backbone da operadora, o preço é superior”,
revela. Os números da Brasil Telecom parecem confirmar a afirmação
do especialista da Quendian. “Com nossa solução de VPN
sobre rede privada, batizada de Vetor, conseguimos oferecer cinco vezes
mais banda por um preço 15% inferior, se comparado ao frame relay”,
destaca Waldir Morgado, diretor de produtos e serviços da operadora.
Já para a analista de negócios da CTBC, Kelly Cristina Lima,
se o cliente optar por uma rede virtual privada baseada na internet pública,
ele pode alcançar 30% de desconto em relação ao canal
dedicado.
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