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| Empresas investem em políticas
para uso da internet |
Autor: Fábio Barros
Data: 16/09/2003 |
Transformada de fato em ferramenta de trabalho, a internet começa
a estimular iniciativas de normatização de seu uso. Atrelada à má utilização,
tanto de e-mails quanto de web sites, há uma série de fatores
nocivos que vão desde a redução da produtividade até a
destruição de informações. Não é de
se estranhar, portanto, que as corporações atentem para isso
e, no vácuo dos problemas causados até aqui, decidam criar
políticas de uso. Em geral, as normas impostas – geralmente
associadas ao emprego de ferramentas de controle e gerenciamento – são
simples e baseadas no bom senso.
O ponto crítico é sua disseminação, já que
o sucesso depende fundamentalmente do processo de aculturamento. “O
mais importante é a questão da vulnerabilidade. Se não
há controle do que sai e do que entra, os sistemas da empresa ficam
sujeitos a invasão”, diz José Lourençon, gerente
de sistemas da Payot, fabricante nacional de cosméticos. Com uma
rede formada por 60 computadores em sua sede em Cotia (SP) e outros 30 divididos
por escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro, o executivo
não esconde que sua maior preocupação está no
fluxo de e-mails.
Mas as prioridades variam de acordo com a filosofia e o negócio
de cada companhia. Para Pedro Luís Duccini Nunes, coordenador de
informática da Organização Mogiana de Educação
e Cultura, por exemplo, o foco principal está na prevenção
contra vírus e no controle de acesso a sites não relacionados
a atividade-fim da organização. “Não há uma
política rígida de utilização porque somos uma
instituição de ensino e temos de dar liberdade para alunos
e pesquisadores”, diz o responsável pelo controle de 1.150
máquinas – divididas entre Mogi das Cruzes (SP) e São
Paulo –, todas com acesso à web.
Para a GlaxoSmithKline (GSK), com 1,2 mil máquinas com acesso à internet,
a principal função da política – aqui sim, formalmente
definida – era o controle de acessos e a formatação
da internet como ferramenta corporativa. “O grande desafio é identificar
o que o negócio precisa e atender isso. Temos de estar alinhados
a esse objetivo o tempo todo”, explica André Lemos, coordenador
de telecomunicações e segurança da fabricante de medicamentos.
O atendimento às práticas de negócio da empresa parece
ser o ponto inicial para a formulação de uma política
de uso da internet. No caso da GSK, a definição começou
com a estruturação de um comitê de segurança
da informação, formado por representantes de várias áreas
da companhia. “Esse grupo define o que deve ser implementado e foi
a partir daí que criamos nossa política de uso da web”,
afirma Lemos.
Critérios para e-mails
Na prática, o documento criado pelo comitê é simples – uma
página –, no qual estão definidos critérios para
a utilização de e-mails e listados os tipos de sites que não
devem ser acessados pelos funcionários, como pornográficos,
racistas etc. Sobre os e-mails, a principal preocupação está no
download de aplicativos, este sim, terminantemente proibido.
A maior preocupação de Lemos é fazer com que as práticas
sejam adotadas em massa pelos funcionários. “Há dois
cuidados que tomamos: não utilizar linguagem técnica e levar
o problema para o dia-a-dia das pessoas”, diz, citando a utilização
de ferramentas de divulgação como jornal interno, pesquisas
de conhecimentos e aplicativos de e-learning.
Na Payot não há uma política formal, mas os esforços
da área de TI em reduzir os problemas gerados por e-mails acabaram
disseminando cultura pela corporação. “Havia grande
incidência de vírus, e 90% deles chegavam por e-mail. Hoje
conseguimos gerenciar isso e identificar de onde vêm a ameaça,
antes que ela chegue às nossas máquinas”, afirma Lourençon.
Apesar do controle, a empresa tem o cuidado de não ferir a privacidade
de seus funcionários, adotando o que o executivo chama de liberdade
controlada. “Quando um site não relacionado ao trabalho é acessado
com freqüência, ou mesmo um endereço de e-mail, lançamos
um comunicado interno avisando que o uso tem sido excessivo. Geralmente
isso é bem aceito pelos funcionários”, diz, observando
que o bloqueio é a última alternativa.
O gerenciamento de e-mails tem permitido à Payot definir prioridades
de banda, liberando e-mails ou navegação para funcionários – ou
departamentos – de acordo com suas necessidades. “Por exemplo,
nossa fábrica precisa acessar alguns sites, mas a banda destinada
a eles é bem menor do que a usada pelo departamento financeiro, que
realiza troca eletrônica de documentos com bancos”, afirma.
Na Organização Mogiana de Educação e Cultura,
apesar da liberdade, há dois grupos de acesso determinados pela área
de TI. O primeiro, formado por pesquisadores, tem livre acesso a qualquer
conteúdo. “Já funcionários e alunos têm
um controle maior. O proxy utilizado por eles tem algumas restrições
de acesso”, explica Nunes.
O foco da área de TI é o controle dos logs efetuados pelos
usuários. “Estamos sempre atentos a isso. Há muitos
sites novos e, dependendo do conteúdo, temos de bloqueá-los,
mas estamos sempre atrás nesse sentido.”
Para manter suas práticas de uso da web em funcionamento, os responsáveis
dependem, e muito, de ferramentas de TI. No caso da Organização
Mogiana de Educação e Cultura, boa parte da estratégia
traçada por Nunes tem lastro em um aplicativo de verificação
de acesso, o freeware Sarg. “Ele mapeia os sites mais acessados na
instituição e nos dá uma estatística disso. É a
partir daí que avaliamos os logs efetuados”, diz.
Ferramentas de controle
O executivo se diz satisfeito com o desempenho do freeware, lembrando que
a estrutura web da organização é baseada em plataforma
Linux, o que permite a utilização de aplicativos gratuitos.
Satisfeito com a estrutura construída até aqui, Nunes acredita
que mudanças só devem ocorrer a partir de 2004, quando a inauguração
de um campus da instituição em São Paulo deve exigir
uma ampliação do link.
Na Payot, o principal suporte ao controle de e-mail está em um gerenciador
e numa solução de antivírus, fornecida pela Kasperski. “É graças
a essas ferramentas que conseguimos filtrar mensagens indesejadas e, em
alguns casos, até oferecer solução remota para problemas
surgidos nas estações dos usuários”, diz Lourençon,
lembrando que o gerenciador é utilizado pela companhia há cerca
de dois anos.
Mais que diminuir os problemas em si, o executivo ressalta a economia gerada
em gastos com manutenção de rede e tempo de funcionários
parados. Fazendo uma conta rápida, ele afirma que, em um ano meio,
a fabricante de cosméticos conseguiu ganhos de 50% na produtividade
dos funcionários.
Na GSK, a classificação dos sites visitados pelos funcionários é realizada
por um software da Aker, instalado antes do firewall. Seguindo critérios
preestabelecidos, o aplicativo se encarrega de bloquear qualquer tentativa
de acesso a conteúdo não autorizado. “A pesquisa realizada
pelo software é feita por palavras-chave, o que também preserva
a privacidade de quem faz a tentativa”, ressalta Lemos.
Além dessa ferramenta, o arsenal da empresa inclui firewalls e customizações
internas que barram as tentativas de downloads. “Nosso consumo de
banda caiu 20% desde a adoção do classificador, que era justamente
o percentual dedicado a sites não relacionados ao negócio
da empresa”, justifica.
|Computerworld - Edição 393 - 03/09/2003|
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