Afinal, as chamadas redes WLAN ( Wireless LAN) ou Wi-Fi ( Wireless Fidelity),
são seguras? Para responder a esta pergunta vamos entender um
pouco a história desta tecnologia e como vem evoluindo as questões
de segurança entre os fabricantes e a IEEE, organização
internacional que congrega fabricantes, engenheiros e profissionais
da indústria eletro-eletrônica e responsável pela
definição dos padrões e normas de seu funcionamento.
A tecnologia WLAN nasceu naturalmente da necessidade de se
criar redes locais com conectividade sem fio e mobilidade entre
seus computadores participantes, com alguma equivalência em facilidade, recursos
e performance às redes locais tradicionais baseadas em cabeamento
estruturado. Evoluiu para o mundo outdoor, inicialmente com adaptações
de Acess Points e NICs ligados a antenas externas, e atualmente com os
principais fabricantes oferecendo famílias inteiras de produtos
exclusivos aos ambientes Outdoor, com alcances de até 40Km.
O desenvolvimento do WI-FI nasceu por duas vias: por um lado,
vem da comunidade acadêmica, universidades e a IEEE, e por outro, o do
mercado, por intermédio dos fabricantes de tecnologia, cada um
tomando o seu rumo de pesquisa e desenvolvimento. A tendência natural
destes movimentos é a organização e a padronização,
com as comunidades acadêmicas atuando por meio de sua representação
maior que é a IEEE, e os fabricantes apoiando esta instituição
e criando uma associação sem fins lucrativos chamada WI-FI
Alliance, originalmente WECA ( Wireless Ethernet Compatibility Alliance ),
cujo objetivo é a certificação da interoperabilidade
dos produtos Wi-Fi do mercado em conformidade às definições
IEEE 802.11. Atualmente, as velocidades disponíveis são
de 11 Mbps ( 802.11b ) e 54 Mbps ( 802.11a e 802.11g )
em uma disciplina half-duplex, que associada aos overheads de protocolos
apresentam taxas reais na ordem de 50% destes valores.
E a segurança?
O tema segurança sempre foi considerado desde os primeiros
trabalhos. O padrão 802.11 inicial já contempla todas as
definições do algoritmo e protocolo WEP ( Wired Equivalent
Privacy) desde a primeira spec comercialmente implementada
(802.11b). O protocolo WEP, como o nome diz, tem o objetivo de oferecer
um nível de segurança regular, equivalente ao de uma rede
com fios, normalmente exposta ao acesso indevido de intrusos em hubs
e switches e passível de providências adicionais de segurança.
O WEP foi criado para a função de prevenção
do reconhecimento indesejado dos dados transmitidos no ar e também
possui um mecanismo de controle de acesso para evitar acesso por participantes
indesejados na rede.
Existe uma questão bastante pertinente sobre a eficiência
do algoritmo, que prevê a realização de criptografia
RC4 através da definição de chaves fixas de 64 bits
(40 para chave de encriptação e 24 bits para Vetor de Inicialização),
considerada fraca e insegura. Há a opção de 128
bits (104 e 24 bits, respectivamente), em teoria um pouco mais segura.
O RC4, possui cifragem stream e combinação de OU Exclusivo ,
onde a cada bit cifrado corresponde um bit do texto pleno original, e é considerado
fraco no gerenciamento das chaves.
A estrutura WEP já foi e é extremamente contestada e "blasfemada" por
especialistas, que afirmam que as chaves podem ser descobertas através
da monitoração passiva do fluxo de dados por um certo período,
ou ainda através da inserção de textos puros combinados
com tentativas de vetores possíveis, os quais são limitados
a 24 bits de tamanho e que podem assim ajudar a deduzir a chave, que
aliás é um segredo compartilhado que nunca muda.
Existe um novo padrão em publicação muito mais eficiente
em termos de segurança, o WPA ( WI-FI Protected Access ) que atua
com criptografia com TKIP ( Temporal Key Integrity Protocol) e autenticação
802.1X. . Este novo padrão (802.11i) altera as chaves a cada pacote,
checa a integridade da mensagem e possui um mecanismo de re-chaveamento,
porém ainda não está comercialmente estabelecido,
deixando-nos por enquanto somente com a alternativa WEP, principalmente
ao parque já instalado.
Então Wi-Fi não tem jeito?
Seja qual for o tamanho da fraqueza do WEP, é importante considerar
que existe uma grande diferença entre os intrusos curiosos ou
eventuais, dos invasores mal intencionados munidos de ferramentas e capacidades
tecnológicas avançadas. Para o primeiro grupo, a grande
maioria dos sistemas de criptografia e segurança de dados, incluindo
o WEP, pode evitar plenamente estas intrusões, mas para o segundo
grupo, a quem esta arquitetura pode parecer piada, nem mesmo complexos
sistemas podem garantir a segurança plena.
Uma forma prática de se resolver esta questão ou minimizar
a fragilidade dos sistemas de segurança disponíveis, é implementarmos
recursos de segurança disponíveis nas diversas camadas
de comunicação existentes em uma rede, seguindo a boa e
velha estrutura do modelo de arquitetura de camadas OSI, utilizando-se
de uma grande diversidade destes recursos, do nível físico
até o de aplicação. Como exemplos, podemos citar
a restrição de acessos físicos aos armários
de equipamentos, a utilização de firewalls, DMZs e autenticação
forte adicional, como o Radius e principalmente a ativação
do WEP com chaves não óbvias de 128 bits em conjunto com
a utilização de VPNs.
Não ativar WEP equivale a viver em uma casa que esteja com as
portas e portões destrancados e abertos de forma escancarada.
Implementar WEP com pelo menos algumas das recomendações
acima, em especial com VPNs, garantirá os portões e as
portas bem trancadas. Essa medida pode até não garantir
a segurança total das informações, mas certamente
levará o intruso a invadir uma casa mais fácil... E vocês
nem imaginam quantas "portas escancaradas" existem por aí!
(*) é diretor de Tecnologia e Desenvolvimento de Negócios
da WDC Networks e professor de Pós Graduação
em Segurança de Redes na FASP. |