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| Xô, lixo virtual! |
| Elis Monteiro - 08/09/2003 |
Como diminuir o número de mensagens eletrônicas não-solicitadas
que circulam na internet? Já que não existe legislação
específica para esse tipo de infração, educar ainda é a única
forma de coerção. Para isso, o Grupo Anti-spam, formado pela
Associação Brasileira de Provedores de Acesso, Serviços
e Informação da Rede Internet (Abranet), pela Associação
de Mídia Interativa (AMI) e pela Câmara e-Net, decidiu criar
uma cartilha e um código de ética para empresas que usam o email
como ferramenta de marketing. As “regras”, auto-regulatórias,
devem sair nos próximos meses. As empresas que seguirem as normas entrarão
para o que o grupo está chamando de “Lista Branca” — reverso
da já existente “Lista Negra”, que identifica quem usa
o email para o mal. A idéia é criar um selo de qualidade para
companhias que não abusam da rede para vender produtos e serviços:
quem não estiver na “lista branca” será classificado,
automaticamente, como não-confiável.
A medida é bem-vinda. Pesquisa divulgada em agosto nos Estados
Unidos pela fornecedora de sistemas anti-spam Brightmail concluiu que
o lixo virtual corresponde, hoje, a 50% (!?) dos emails que trafegam
na internet. Destes, a maioria é de empresas oferecendo algum
produto ou serviço — e aí entram os mais bizarros
tipos. No Brasil, o número de spams quadruplicou num prazo de
dois anos, segundo pesquisa da Abranet. Caso não seja revertida,
a tendência é aumentar mais.
Se os números são assustadores, as previsões não
ficam atrás. Phillip Hallam-Baker, criador dos protocolos de segurança
da WWW, disse, em entrevista ao GLOBO, que o spam é séria
ameaça à saúde da rede. Sérgio Kulikovsky,
presidente da Certisign, assina embaixo das declarações
do cientista:
— O spam pode travar a internet. Uma forma de combate é restringir
o acesso à caixa postal. Eu, por exemplo, instalei um filtro que
só deixa passar emails cadastrados no catálogo de endereços — diz.
Mas como separar o joio do trigo? Como saber o que é spam, o
que é email de amigos e o que é marketing saudável?
Para Marcelo S’Antiago, presidente da AMI, definir spam e criar
regras de conduta é tarefa árdua. A saída? Educar!
— Classificamos de spam o envio de mensagens para uma base indeterminada,
simultaneamente e de modo reiterado, sem consentimento prévio.
O spammer usa o “res” (de resposta) na mensagem para enganar
o receptor, oculta o IP e tem origem desconhecida. O spam é uma
praga, mas como assola o mundo todo fica complicado criar uma legislação
local — diz.
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