Redes wireless a caminho da evolução
01/12/2003 - O Globo - Elis Monteiro

Que o mundo está cada vez mais móvel, não restam dúvidas: os celulares estão aí mesmo para provar. A boa notícia, pelo menos para aqueles que estão com os dedos preparados para acessar a internet aonde quer que estejam - seja usando laptop ou PDA - é que mobilidade é palavra de ordem da maioria das fabricantes de hardware e inclusive da Anatel, agência responsável pela regulação de tecnologias emergentes do mundo sem fio.

Segundo pesquisa apresentada pela Anatel durante o Wireless Fórum, evento organizado pela Intel e realizado em São Paulo na semana passada, laptops e PDAs correspondem a 26% da fabricação de PCs e o ano de 2003 deve terminar com 33 milhões destes aparelhinhos em funcionamento. De acordo com a consultoria Visiongain, em 2006 cerca de 90% dos usuários corporativos que usam laptop terão capacidade de acesso a redes Wi-Fi.

Hoje, falar de redes sem fio não é apenas citar a tecnologia 802.11b, que já está sendo usada na maioria dos grandes aeroportos brasileiros, em alguns shoppings de capitais como Rio e São Paulo e em redes de café para conexão wireless de usuários. No fim do ano, chega a 250 o número de hot spots (pontos de acesso público à internet) instalados no país. A expectativa da Intel é que, no final de 2004, eles cheguem a mil. No Brasil, já há empresas oferecendo placas com tecnologia 802.11g. Se a primeira (802.11b) alcança velocidades de 1 a 11 megabits/s, a "irmã mais nova" 802.11g alcança de 6 a 54 megabits/s. É bom que se esclareça: a evolução das redes wireless diz respeito à capacidade de transmissão de dados.

Mesmo com as duas opções à disposição, o mercado não se dá por satisfeito. Para breve, é esperada a chegada do mais novo membro da família Wi-Fi: a tecnologia 802.11a, que servirá para abrir caminho para a 802.11h. Isso sem falar no superpoderoso WiMax, nome popular do padrão 802.16, que dispensa o uso de cabos e funciona como um sinal de celular e tem cobertura de até 50 quilômetros.

- É como uma cobertura de celular. O WiMax permitirá a expansão da banda larga no país - prevê Ronaldo Miranda, diretor de marketing e vendas para a América Latina da Intel. - Esperamos que, em 2005, usuários já possam estar se conectando à internet via WiMax e se movimentando ao mesmo tempo.

Miranda tocou num ponto crucial a respeito das redes wireless. O acesso W-Fi à internet se restringe a espaços nos quais hot spots são instalados. Por isso, é mais comum fazer a junção mobilidade/celular quando se fala em acesso em movimento. Por atingir um espaço muito mais amplo, o WiMax pode ser, portanto, a redenção da família 802.1x, embora o consenso na indústria seja de que não há como comparar a cobertura de Wi-Fi com a de serviços 2,5G e 3G de telefonia celular.

- O Wi-Fi é um desenvolvimento interessante para a 3G, mas ele tem uma cobertura menor, serve para distâncias pequenas. Além disso, os serviços 3G usam faixas diferentes de espectro e precisam de licença do governo para funcionar, o que não acontece com os serviços Wi-Fi - explica Francisco Giacomini Soares, gerente-geral de Certificação e Engenharia do Espectro da Anatel.

Conferência abriu portas para o novo mundo wireless

Para tornar possível que estas inovações aportem por aqui, o governo brasileiro correu atrás da adoção de novas faixas de freqüência que suportem velocidades maiores. O representante da Anatel no fórum, Francisco Giacomini, apresentou os resultados obtidos pela comitiva brasileira durante a última WRC 03, conferência mundial de radiocomunicações. Segundo ele, o Brasil liderou o grupo que pedia a liberação das faixas que atendessem a estas novas tecnologias sem fio. Eles voltaram vitoriosos e as mudanças já estão em consulta pública.

A única preocupação da Anatel, agora, é a convivência pacífica entre as novas tecnologias sem fio e outras redes de comunicação, como telefonia móvel e rádio.

- Não é nada agradável você estar acessando seu laptop em um aeroporto, por exemplo, e receber interferências de transmissão do vizinho do lado - diz Giacomini.

Nem tudo é colorido no mercado de acesso wireless

Durante o Wireless Fórum, Rusty O' Brian, gerente de programas de Pesquisa Telecom do IDC, apresentou os resultados da última pesquisa sobre serviços wireless realizada pelo instituto. Embora o mercado faça planos de adoção de mais e mais tecnologias, o panorama não é dos melhores para o mundo sem fio. Segundo O'Brian, a pesquisa revelou que 60% das empresas não querem saber de serviços de dados móveis. Motivo? Estão satisfeitas com o serviços que já possuem. Apenas 8% das companhias consultadas já estão usando o Wi-Fi. Mas, prevê o IDC, isso pode mudar com a adoção de serviços como Mobile Banking e M-Commerce.

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